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Novas ações do CREIA são destacadas durante entrevista coletiva
Quarta-feira, 29 de setembro de 2004, 11:05
| Luiza Kassar, Daniela Bonfim, Edson Silva |  | | Alunos da Oficina de Comunicação entrevistam a coordenadora geral Mônica Kassar |
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A coordenadora do CREIA (Centro de Referência de Estudos da Infância e da Adolescência), professora Mônica Kassar concedeu entrevista coletiva, nesta Terça-feira (28), aos integrantes da Oficina de Comunicação que integra as atividades do I Congresso do CREIA. A professora destacou pontos importantes como: a produção científica nos últimos 10 anos, bem como a importância das novas ações do Centro e a sua articulação com outros setores da UFMS. Participaram da entrevista os acadêmicos de psicologia Daniela Bonfim, Eduardo Kawahara, Márcio Diniz, Luiza Magalhães Kassar, estudante de oitava série e o professor Edson Silva.
Edson - Professora Mônica a senhora já poderia fazer um balanço do I Congresso do CREIA, nos informando o número de participantes inscritos, as oficinas e cursos confirmados? Profa. Mônica - São 160 participantes, talvez um pouco mais. Ainda hoje tem gente fazendo inscrição. Estavam previstos 23 ministrantes, mas por problemas relacionados ao transporte aéreo ficaram 21. São 17 oficinas com temas bem variados: comunicação, dança de salão, questões ligadas ao trabalho educacional e ao atendimento psicológico, língua de sinais, adaptação de material didático para crianças com visão sub-normal, trabalho com logo (programa de computador para a área de matemática), entre outras.
Edson - Qual o custo, o valor gasto para realizar o evento? Profa. Mônica - A primeira previsão de custos foi de R$ 36 mil. Mas estamos fazendo o congresso, somando despesas com passagens áreas e hotéis, com R$ 5 mil reais, aproximadamente. Tivemos que enxugar bastante. Coisas básicas planejadas e previstas como prólabore para os ministrantes não conseguimos até agora. E também nenhuma rubrica que pudesse fazer esse tipo de transação. Portanto, o corte de R$ 36 mil para 5 ou 6 mil reais foi muito grande. Da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul nós estamos usando apenas a infra-estrutura e há uma previsão de R$ 700 reais em material de consumo que ainda não foram repassados.
Daniela - Quantas e quais são as pesquisas realizadas pelo CREIA nesses 10 anos?Profa. Mônica - Quantas... É uma pergunta bastante difícil de responder, porque um tempo atrás, no último levantamento realizado, tínhamos 30 pesquisas com temas variados. A primeira pesquisa foi realizada com meninos de rua, como relatei na mesa de abertura. A partir desta começamos a desenvolver vários estudos relacionados ao foco inicial que é a criança e o adolescente em situação de vulnerabilidade. Nossa primeira iniciação cientifica foi um trabalho bastante interessante sobre gangues: quantas eram em Corumbá, como elas se organizam, qual era o ritual pelo qual o adolescente passava dentro da gangue desde a sua entrada até a saída. Essa pesquisa abriu muito o leque. Nós também temos pesquisa relacionada à exploração e abuso sexual de criança, em relação à violência doméstica e outras formas de violência, a relação da escola com a criança como ela é tratada e como a criança percebe a escola. Outra pesquisa é em relação ao futuro da criança envolvida com a exploração sexual e a expectativa futura das que moram na rua. Nós temos pesquisas sobre os danos secundários das meninas envolvidas com a exploração sexual. Os temas são muito variados, mas sempre tentando levar em conta o foco principal: a garantia de direitos da infância e adolescência. Aí entra tudo: saúde, direito, educação.
Eduardo - Como os interessados poderão ter acesso a maiores informações sobre as pesquisas? Profa. Mônica - Nós costumamos divulgar nossos resultados não só no meio acadêmico como também para a comunidade. Fazemos apresentações em congressos e buscamos incentivar nossos alunos para fazer o mesmo dentro e fora do Brasil. Eu mesma já levei trabalhos de alunos para a Espanha, Inglaterra e outros paises. Outra forma de divulgação é a revista Recreação. Através dela incentivamos os nossos alunos a transformar os relatórios em artigos para publicação. Para a comunidade em geral não só a revista Recreação, que é de fácil acesso por um custo bastante baixo de R$ 3,50 o exemplar. Também participamos de eventos na cidade, na região, no estado discutindo com a comunidade, com o intuito de levar a informação. Quando descobrimos algo muito gritante, que acontece na região, solicitamos do poder público e da rede de atendimento aos direitos da criança espaço para divulgar as pesquisas. E todo o acervo do CREIA está à disposição não só dos alunos como também da comunidade em geral.
Márcio - Quais as contribuições que as pesquisas realizadas pelo CREIA oferecem para a área da infância e da adolescência? Profa. Mônica - As contribuições das pesquisas sobre a criança e o adolescente nem sempre são contribuições diretas no sentido de descobrirmos uma coisa e automaticamente fazermos algo. Primeiro porque a gente não tem controle sobre muita coisa que acontece, a ação da universidade pode chegar até um certo ponto, mas não somos, por exemplo, o poder público. Nós podemos sugerir, indicar caminhos, e até discutir, mas não temos como impor, mesmo porque tem muita coisa para qual não temos respostas, precisamos descobrir. As contribuições podem ser de duas formas: através de projetos de extensão, que fazemos inclusive com crianças e adolescentes; a outra é na formação de profissionais. A nossa intenção é formar profissionais que saiam da universidade com uma visão diferenciada, e não sejam meros reprodutores do que a sociedade hoje pensa sobre a criança e o adolescente. Uma outra coisa é sugerir e elaborar projetos para o poder público executá-lo. Nem sempre a gente consegue, mas obtemos alguns resultados como, por exemplo, o Projeto Sentinela, pois para sua implantação foi necessário que verificássemos que a exploração sexual era realmente um problema na cidade. Assim conseguimos demonstrar com dados para o poder público e o programa se efetivou na cidade.
Edson - É possível fazer uma avaliação, até agora, do congresso. Quais as ações previstas para o futuro? Profa. Mônica - Em relação ao congresso, no segundo dia, vemos um aspecto muito positivo que está ocorrendo: é o envolvimento dos alunos nos mini-cursos e nas oficinas. Embora o pessoal esteja se concentrando mais na temática que se relacione com a profissão, o que é uma coisa natural, está tendo um interesse geral dos alunos pelo congresso. Uma outra coisa positiva que está ocorrendo é que, apesar problemas que ocorreram como a greve da VASP que impediu professores e palestrantes de chegar a Corumbá, os colegas que estão aqui se mobilizaram para cobrirem a ausência e não "furar" o congresso Em relação às atividades futuras, o CREIA fez um convênio com a OIT bastante interessante para a UFMS. Acho que esse convênio internacional é um reconhecimento do trabalho da universidade não sendo um mérito apenas do CREIA mas da universidade inteira. E um aspecto bastante positivo: projetos como o do professor Edson (A Comunicação como Estratégia para o Enfrentamento da Violência sexual contra Crianças e Adolescentes) veio integrar vários núcleos da universidade que trabalhavam com a mesma temática. Então continua essa união e a intenção do CREIA agora é se associar mais aos outros pesquisadores e fortalecer a UFMS nesse caminho, extrapolando a idéia que o Centro de Referência é especifico de Corumbá.
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